segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Quando a ficha cai

Minha filha acabou de completar 5 meses e eu acabei de perceber que a vida não será como antes.
É eu sei que demorei pra me ligar, mas cada um tem o seu tempo pra tudo, né?
Foi tentando retornar para minhas aulas de Yoga nas terças e quintas as 17h30.
O horário continuava perfeito para que depois da aula, chegássemos em casa e retomássemos a nossa rotina de banho, brincadeira e berço, de todos os dias...
Acontece que a coleguinha reclamou do barulhinho que minha filha faz.. ela balbucia beabás, agus e tals... e daí atrapalhou na meditação. A professora entregou minha filha para a secretária da escola e em menos de 5 minutos ela estava aos prantos e gritos. Saí da sala e não voltei. Entrei para pegar  nossas coisas depois que a aula acabou e fui pra casa. Super chateada.
Chateada comigo, que não tinha me ligado ainda que não se pode fazer exatamente as mesmas coisas que se fazia antes de ter um neném.

Eu nunca fui do tipo que queria ser mãe. Meu lema era: "se vier a gente cria" haha. Mas parece que não cabia filhos na vida. Eu sempre pensava: vai que sai que nem a minha irmã (nunca me dei bem com ela rs). Mas também pensava que não poderia viajar, teria que dispender grande parte do que eu ganhasse para criá-lo, teria problemas que eu não fazia (não faço) ideia e nem queria (não quero) resolver, como educar, cair machucar, que escola matricular, morder amiguinhos, derramar suco na cabeça deles, dar show em restaurantes, fazer birra em mercado, empatar a vida em tudo que é sentido.
Além disso era contraindicada uma gravidez para alguém que teve uma trombose grave há poucos anos, devido o uso de anticoncepcional prolongado. Eu tinha muitas cólicas e não queria engravidar. Motivos mais do que suficientes para tomar pílula. Acontece que isso, somado a uma crise de stress por um monte de coisas juntas: tadáááá!!! uma zica grave de saúde aos 27 anos.

Um dia uma amiga me falou sobre ser mãe: " eu sou tão melhor do que isso". Mas eu fiquei meio chocada com a afirmação. Porque na minha cabeça alguém que dá conta de todas essas coisas é foda demais! Eu não queria ser mãe porque acho que não vou dar conta de ser melhor do que eu sou...

Mas a gestação foi passando e fui resolvendo um monte de coisas que seriam necessárias pra chegada de um bebê nas nossas vidas. Muitas coisas, muitas mesmo, quem resolveu foi minha sogra me dando todo (todo, tipo todo mesmo) o enxoval e o quarto (com direito a guarda-roupa cômoda e berço), além de uma geladeira melhor, coifa, 1/3 de uma casa própria pra gente viver porque a casa que a gente morava de aluguel estava embolorada e saíam baratas dos ralos e depois de nascida até um carro com ar condicionado ela deu pra gente passear com a netinha S2...
Além dessas coisas práticas eu fui pesquisando sobre o parto, sobre banho, amamentação, segurança do bebê e um monte de outras coisas. Meu marido foi um companheiro irrepreensível! Me acompanhou em todos os momentos! TODOS! Em todas as consultas com o obstetra e nos ultrassons, me deu as injeções diárias que eu precisava pra não ter uma trombose durante a gravidez, cuidou de mim de verdade e de um monte de coisas que rolavam da casa que havíamos comprado e precisava de uma porrada de documentos que não saíam, não dava pra mudar e a barriga crescendo absurdamente, meu trabalho que fechou eu estava desempregada e não dava pra ajudar financeiramente em nada mais... cara, quanta coisa em tão pouco tempo....

O fato é que daí ela nasceu! E chorou! E daí eu nasci também. Que loucura isso! Me emociono de lembrar. Eu não via nada, só ouvia ela chorando. Fui pra cesariana porque não dei conta de 38 horas de trabalho de parto e não dilatava aquela porra... tava foda... Uma bosta a cesárea que não te deixa participar... vc tá lá que nem uma jaca toda aberta, não pode nem pegar sua filha.. mal vê a cara dela e já levam ela pra longe de vc e só depois de umas 4 ou 5 horas que trazem ela pra vc... toda limpinha já... vc nem pode se sentar pra dar de mamá, não consegue dar banho nela nem tomar banho direito porque os pontos doem e vc se arrasta pelo quarto... Uma bosta! Ou eu que sou uma palerma também, porque a vizinha da frente do meu quarto estava de legging umas 6 horas depois do parto dela...
Mas enfim... foi, nasceu e agora??? Agora tudo mudou! E não dá pra querer voltar ao que se era e onde estava. Agora é bola pra frente e superação!


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